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Educação e Cultura

14/08/2020 - Prefeitura orienta sobre cuidados para evitar a obesidade infantil durante a pandemia

Levando a preocupação das mães neste período de pandemia mundial de Covid-19, a Prefeitura Municipal de Uberaba orienta sobre cuidados para evitar a obesidade infantil, principalmente durante o período em que as aulas se encontram suspensas. Elisabete Mantovani, diretora-médica e endocrinologista do Centro Municipal de Diabetes e Hipertensão (Cemdhi), inaugurado no início de julho, conta que devido a pandemia, com as aulas online, as crianças têm ficado muito quietas dentro de casa, sem fazer exercícios.

O Cemdhi atende hipertensos e diabéticos de difícil controle e obesos mórbidos encaminhados pelos médicos das unidades da Atenção Básica de Uberaba, trabalhando a prevenção e o cuidado para evitar o agravamento das doenças. Trata-se de uma unidade referenciada, ou seja, o paciente só vai ser atendido lá a partir de um encaminhamento da unidade básica, caso ele precise atendimento mais complexo. Segundo Elisabete, duas crianças já foram encaminhadas para o Centro, uma de 10 anos e outra de 15, por terem desenvolvido diabetes tipo 2 por conta da obesidade.

“A própria ansiedade [por ficar em casa] gera mais apetite, a criança acaba comendo mais e os pais, querendo agradar, acabam comprando muita bobeira”, relata a endocrinologista. “Então, a gente orienta os pais a evitarem comprar comidas industrializadas, trabalhar com a criança na hora de fazer a comida, ensinar ela a fazer alimentos mais saudáveis, consumir mais verduras e frutas”, complementa.

A nutricionista do departamento de Nutrição e Alimentação Escolar da Secretaria de Educação (Semed), Márcia Damasceno, reforça a importância da família para que a alimentação seja prazerosa e envolva as crianças na elaboração dos alimentos, desde a higienização até a preparação final (de acordo com a faixa etária e sob supervisão de um adulto) como estratégia.  “O ato de cozinhar deve ser resgatado e repassado de geração para geração, pois contribui de forma de efetiva com a promoção de hábitos alimentares saudáveis. A alimentação não deve ser utilizada como punição ou gratificação, em outras palavras, se a criança comeu toda a refeição parabenize com certeza, mas não condicione o consumo de doces como premiação”, orienta Márcia. Segundo a nutricionista, tanto o Guia Alimentar para a População Brasileira (2014) e o Guia Alimentar para Crianças Menores de 2 Anos (2019) podem ser consultados em caso de dúvidas.

 

Participação na cozinha ajuda a garantir rotina alimentar saudável para as crianças

Entre as orientações da nutricionista do departamento de Nutrição e Alimentação Escolar da Secretaria de Educação (Semed), Márcia Damasceno, a manutenção da rotina de horários é imprescindível para uma alimentação saudável. Devem ser observados, segundo ela, desde o horário das refeições até os horários de acordar, tomar banho, brincar e principalmente definir o horário para o uso de tecnologias como videogame e celulares, que não devem estar a mesa durante as refeições.

Outra orientação é realizar as refeições com calma, mastigando e sentindo o sabor dos alimentos, em horários e ambiente apropriados, em conjunto com os demais membros da família, isento de distrações, bem como incentivar o consumo de frutas, verduras e legumes, cereais, tubérculos, leguminosas, sucos integrais, carnes, ovos, leite e derivados, e sempre que for possível, permitir que as crianças auxiliem na montagem de seu prato, de forma atrativa e colorida, com variedade de alimentos e diferentes formas de preparo.  “A alimentação das crianças é o reflexo da alimentação dos adultos que ela convive, dessa forma, a família é o exemplo da alimentação. Se os pais desejam que as crianças comam verduras e frutas, o adulto também precisa consumi-las, além de oferecer água no decorrer do dia e deixando sempre na visão e alcance das crianças para incentivar o consumo e jamais realizar trocas, como por exemplo, substituir o almoço por mamadeira ou outros alimentos”, destaca a nutricionista.

 

Funel sugere brincadeiras com as crianças para realizar atividades físicas em casa

Obesidade infantil é uma doença caracterizada pelo excesso de gordura corporal resultado de um quadro de balanço energético positivo, ou seja, ingestão calórica maior do que a necessidade calórica diária. As causas da obesidade são multifatoriais, podendo ser em função da herança genética, por fatores ambientais, relacionadas a alimentação inadequada e, principalmente, a inatividade física, que aumentou durante a pandemia de Covid-19, devido a necessidade de isolamento social para evitar o avanço descontrolado da doença.

O professor de Educação Física da Fundação Municipal de Esporte e Lazer (Funel) e doutorando em Ciências do Movimento Humano, João Gurgel, alerta que a pouca participação em atividades físicas ativas e o longo período em atividades passivas, deve ser relacionado como aspecto importante no aumento da prevalência de obesidade das crianças. “Atualmente, as crianças tem priorizado as atividades passivas, como videogames, tv e internet”, adverte. Gurgel explica que várias são as consequências para crianças com excesso de peso, como a diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares, respiratórias, hipertensão arterial e diversos tipos de câncer, além das emocionais - ocasionadas pelo preconceito social, discriminação e bullying.

“As crianças podem, ainda, apresentar prejuízos no desenvolvimento motor, menor participação em atividades físicas ativas, baixo desempenho acadêmico, além de que, crianças obesas, podem ter aumentadas as chances de se tornarem obesas na vida adulta. É de suma importância a prevenção e, quando já diagnosticado o excesso de peso, é extremamente relevante seu tratamento. Os responsáveis pelo desenvolvimento das crianças devem direcionar ações incentivando a atividade física e alimentação adequada”, ressalta.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que crianças de dois a cinco anos façam pelo menos duas horas de atividade física por dia, já para as de 5 a 17 anos, o indicado é uma hora por dia. No entanto, a pandemia do novo coronavírus, exigiu dos governantes o fechamento de diversos espaços destinados à prática da atividade física, bem como as escolas, local onde as crianças passam boa parte de seu tempo e desenvolvem diversas atividades físicas ativas.  Além disso, as pessoas foram orientadas a ficar em casa para manter isolamento social e evitar a disseminação da doença.

“No cenário atual, torna-se relevante estabelecer procedimentos para a manutenção da prática de atividade física, como consequente forma de enfrentamento da obesidade durante a pandemia do COVID-19 e dos seus riscos. Para tanto, sugerimos a manutenção das recomendações sanitárias e que os responsáveis pelas crianças, façam adaptações de acordo com sua realidade e proporcionem atividades físicas ativas, entre as quais jogos, esportes, brincadeiras, dança, lutas e brinquedos com pedal. O importante é incentivar, viabilizar a prática de atividade física ativa, seja qual for, atentando para que as crianças estejam motivadas e realizem as atividades de forma prazerosa”, explica.

 

Atividades sugeridas:

.      Atividade com elástico

.      Jogo da amarelinha

.      Pular corda: com um tapete macio e uma corda, crie um obstáculo para pular.

.      Jogo de jacaré: espalhe algumas "ilhas" ou "barcos" no chão (usando almofadas, bichos de pelúcia, livros) e faça as crianças pularem de um objeto para outro, o objetivo é não cair "na água" correndo o risco de ser comido pelo jacaré faminto, personificado pelos pais.

.      Jogo de espelhos: fique na frente da criança, a cerca de 30 cm de distância, e convide-a para copiar todos os movimentos. Estique os braços para o céu, para frente e para os lados, corra no lugar, imita um macaco, um sapo ou qualquer animal. Mude o papel e o adulto copia os movimentos da criança.

.      Caça ao tesouro doméstico que cubra todas as áreas da casa.

.      Voa balão: infle um balão colorido, os jogadores terão que atingi-lo jogando-o no ar como se estivesse jogando tênis, mas sem jogá-lo no chão. Você pode contar em voz alta quantas vezes o balão é atingido e tentar quebrar o recorde.

.      Alcance o balão: pendure um balão com uma corda na porta, mais alto que o comprimento do braço da criança, depois desafie-o a tocar o balão com a mão. Conte quantos saltos você pode fazer tocando no balão.

.      Pista de obstáculos: crie uma pista de obstáculos divertida que inclua vários movimentos (pular, engatinhar, andar em uma linha com um pé, zigue zague etc.). Para criar a rota, por exemplo: bambolê para pular; fita adesiva para formar linhas de várias formas para andar de maneiras diferentes; travesseiros para pular; fio esticado entre dois objetos (por exemplo, cadeiras) para rastejar; cobertores ou tapetes para rolar e copos ou garrafas de plástico como obstáculos para criar um caminho em ziguezague.

.      Basquete: você pode criar uma cesta em casa e jogar com uma bola macia. Você pode usar cestos de roupa, bolsas rígidas, que você pode colocar no chão ou pendurar na maçaneta da porta. Podem ser usadas folhas de jornal, brinquedos fofinhos ou meias enroladas para criar as bolas. Para tornar o jogo mais emocionante, defina um tempo, por exemplo, dois minutos para fazer o maior número possível de cestas.

.      Boliche em casa: Usando materiais recicláveis para produzir os pinos.

.      Pega-pega: use os personagens que a criança goste na brincadeira, como Pega-pega alienígena, Polícia e ladrão, Pega-pega super-herói.

 

Jorn. Clarice Sousa, Jorn. Monica Cussi e Jorn. Patrícia Peixoto Bayão da assessoria de Comunicação FUNEL

 
 
 

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